segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Dia 29 - Hamburgo

11 de outubro

Hamburgo é... Hamburgo, como diria a Gabi. Na verdade, a gente nem queria muito ir pra lá. O que a gente queria mesmo era ficar um dia a mais em Amsterdã ou Copenhague (que era o nosso próximo destino), mas como não havia trem noturno entre essas duas cidades e a viagem diurna duraria cerca de 9 horas, decidimos dormir no meio do caminho mesmo, e era exatamente lá que ficava Hamburgo.


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Hamburgo fica no norte da Alemanha, pertinho da Dinamarca, e sempre foi um dos maiores portos comerciais desse país. A cidade é grande, tem 1 milhão e 200 mil habitantes, e parece grande mesmo, a ponto de perder um pouco em beleza histórica por causa das enormes avenidas e prédios modernos.

Também, não é por menos. A cidade foi uma das mais bombardeadas pelas tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, e grande parte do que existe hoje no centro de Hamburgo foi reconstruído em cima de ruínas.

Quando começamos a passear pela área central, os prédios e as avenidas estavam tão normais que nem parecia Europa. Lembramos até de Dublin, por um momento. Havia uma ou outra igreja espalhada pela confusão de carros e bicicletas, mas nada bonito demais que merecesse atenção especial.

Michaeliskirche

A mais interessante foi uma chamada Nikolaikirche, que foi praticamente destruída pelos bombardeios aéreos dos aliados. Para relembrar as novas gerações da destruição causada pela guerra, a Nikolaikirche nunca foi totalmente restaurada, e hoje abriga uma série de esculturas e obras de arte relativas a esse tema. A única parte que sobrou intacta foi a torre da igreja, aonde é possível ver marcas de balas e explosões.

Torre da Nikolaikirche

A igreja sem-teto

As igrejas eram legais, mas a cidade não tinha nada de mais, até chegarmos no local onde os dois lagos existentes no centro da cidade (Außenalster e Binnenalster) se encontram. Lá existe uma grande passarela pra pedestres e vários cafés e restaurantes à beira da água. Foi aí que começamos a gostar da cidade, ehehehe.

Restaurantes à beira do lago

Tocador de sanfona

Cais

Lá do lado fica o Rathaus, o palácio do governo municipal e estadual. O prédio é inacreditável; enorme e todo ornamentado. Na parte interior existem várias esculturas, dentre as quais a mais impressionante é uma fonte inspirada na mitologia grega.

Rathaus

Fonte

Essa parte da cidade é linda. Ali perto existem uma rua para pedestre chamada Mönckebergstraße, cheia de lojas e cafés. Demos uma passeada ali à noitinha, e tava bem bonito também.

Mönckebergstraße

No final, acabamos satisfeito com o que vimos. A gente nem tava esperando muito, mas essa parte da cidade é realmente bonita. Foi legal também pra dar um gostinho da Alemanha, país que vamos voltar daqui a uns 15 dias, vindo da República Checa. Mas nosso destino agora é a Escandinávia, e para lá que fomos no dia seguinte... (continua).

Dias 27 e 28 - Amsterdã

9 e 10 de outubro

O primeiro pensamento que nos veio à cabeça ao andar pelos canais de Amsterdã foi: "É, Edinburgo ganhou uma boa concorrente".


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Amsterdã é a capital da Holanda, outro país titico que faz fronteira com a Bélgica ao sul e com a Alemanha ao leste. A cidade não é tão grande, tem só 800 mil habitantes. E incríveis 1 milhão e 200 mil bicicletas, todas estilozinhas como aquelas de Bruges.

Caminhar pela área central de Amsterdã é um desafio sensorial pra qualquer um. Você anda, anda, anda e parece estar passando pelo mesmo lugar toda hora. Isso acontece porque a cidade é toda cortada por uma série de canais que formam círculos concêntricos ao longo das ruas e avenidas.

O visual padrão é assim:

Bicicleta e canal em Amsterdã

Bonito, né? Se você andar mais um quarteirão pra frente, você vai chegar num lugar assim:

Bicicleta e canal em Amsterdã (2)

À noite, os canais ficam tipo assim:

Canal à noite

E por aí vai. Mas o incrível é que é impossível se cansar dessas pontes, casas e bicicletas. Quer dizer, nós ficamos lá por 2 dias e além de não nos cansarmos, ficávamos cada vez mais empolgados a cada quarteirão que passava.

Hotel chique na beira do canal

Mas bem mais do que os canais, Amsterdã é famosa por outras coisas, um pouco mais controversas, digamos assim. Lá, a prostituição é uma atividade legal, e existe um bairro específico onde a maioria das prostitutas trabalham, chamado Red Light District.

Sinceramente, alguém deveria fazer uma tese antropológica sobre esse lugar. Lá é mais ou menos o seguinte: várias "garotas" ficam de biquini em vitrines viradas para a rua, fazendo poses, dançando, rebolando, ou qualquer outra coisa que possa atrair a atenção do povo.

Além disso, também existem vários outros "negócios": sexshops, cabines eróticas e o mais incrível, espetáculos de sexo explícito. Bizarro, não é?

Pena que lá era proibido tirar fotos... Mas que é um lugar bem curioso isso é.

Outras das "atrações" turísticas de Amsterdã, e talvez as mais famosas, são as coffeeshops.

Uma das mais de 200 coffeeshops da cidade

As coffeeshops, apesar do nome, são os estabelecimentos licenciados para poder comercializar maconha. De acordo com o guia do tour que fizemos (de graça também!!), a maconha não é legalizada na Holanda não. O que acontece é que seu uso e comércio é descriminalizado, e qualquer um vendendo menos de 5 gramas por vez ou portando menos de 30 tem minimíssimas chances de serem multados. Não sabemos se é assim mesmo de verdade, já que não tivemos tempo suficiente ainda pra pesquisar sobre o assunto... Talvez quando voltarmos pra casa sobre um tempinho pra isso, eheheh :)

Novamente de acordo com o guia, apenas 10% dos holandeses consumem a droga, regularmente ou não. O grande mercado consumidor das coffeeshops é na verdade os turistas, e essa é a maior razão para que a Holanda não ceda às pressões externas (principalmente Inglaterra e França) e volte a criminalizar a venda e consumo da maconha.

Só um aviso às mamães: não precisam se preocupar. Apesar da aparente "libertinagem", Amsterdã é um lugar seguríssimo e tinha polícia e senhoras de família em tudo quanto é lugar. E não, não fizemos nada de errado, podem acreditar :)

Smartshop, ou loja de cogumelos

Mas Amsterdã tem muito mais o que oferecer além de sexo e drogas. O guia nos levou à Oude Kerk (Antiga Igreja), uma igreja gigante e lindíssima localizada bem no meio do Red Light District. A razão? Bom, Amsterdã sempre foi uma cidade portuária muito movimentada, e a primeira coisa que os marinheiros que passavam meses no mar faziam ao chegar em Amsterdã era procurar as "garotas" do Red Light District. Após dias de farra e esbórnia, quando tinham que voltar para a solidão dos navios, eles davam uma passadinha na igreja, se confessavam, pagavam a indulgência e pronto!, livres do pecado. Fácil assim.

Oude Kerk

Também tem o Nieuwmart, o prédio medieval mais antigo ainda preservado em Amsterdã. Ele foi construído no século XV, e fazia parte da antiga muralha que rodeava a cidade. Esse lugar foi palco de execuções e dissecações (eca) públicas por muitos anos, e hoje em dia é um restaurante chiquíssimo que cobra 20-30 euros por prato.

Nieuwmart

Ele mesmo visto do outro lado do canal

Um outro prédio legal é o Magna Plaza, talvez o shopping center mais charmosão que já vimos.

Magna Plaza

Tem um lugar também que achamos bem legal de visitar. Algum de vocês lembra da Companhia das Índias Orientais? Ela funcionava como uma espécie de mediora entre os donos de navio que queriam fazer comércio com o Novo Mundo ou invadir territórios ingleses e portugueses, como foi com a ilha de Manhattan (é isso mesmo, NY foi fundada pelos holandeses) e com o Estado de Pernambuco (alguém se lembra de Maurício de Nassau?). Considerada por muitos a primeira corporação da história, o prédio da Companhia existe até hoje em Amsterdã e hoje funciona como um dos campus da universidade local. Não é muito bonito, mas o significado histórico é que legal.

Antiga Sede da Companhia das Índias Oridentais

E por aí vai. Amsterdã é uma cidade linda e interessante, que realmente adoramos conhecer. Tá no rol das favoritas, pau a pau com Edinburgo :)

Canal na cidade

Prédio tortinho

domingo, 14 de outubro de 2007

Dia 26 - Bélgica

8 de outubro

A nossa viagem pela Bélgica foi meio experimental, digamos assim. Em menos de 24 horas, visitamos três cidades diferentes: Liège, Bruxelas e Bruges.


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O que aconteceu foi o seguinte: primeiramente, a gente queria visitar só Bruxelas. Mas daí todo mundo tava falando mal da cidade, que era muito feia, que não tinha nada, blablá, e daí a gente decidiu ficar em Bruxelas só o tempo suficiente pra dar uma olhadinha na praça principal (a Gran-Place, que todo mundo dizia ser a única coisa bonita lá) e depois partir pra Bruges, que fica na metade norte da Bélgica.

Mas acabou que o nosso avião não pode pousar em Bruxelas, por causa da neblina, e tivemos que descer no aeroporto de uma cidadezinha chamada Liège, que fica no Sul do País. Daí acabamos decidindo visitar essa também, já que tínhamos ouvido de segunda-mão das amigas da Bela que a cidade era maravilhosa.

Então começamos tudo aí, em Liège.

Ruazinha em Liège

Liège é uma cidade pequena, e fica na parte francesa da Bélgica, chamada Wallonie. É tudo muito bonitinho, como se o tempo tivesse parado no século XIX e preservado todas as ruas e casinhas do jeito que eram.

Outra ruazinha

Andamos pelo centro histórico da cidade (Couer Historique) e fomos até a Catedral, que era impressionante por dentro, principalmente por causa do Cristo pendurado em frente ao altar.

Cathedral de Liège

Interior

Mas o melhor da cidade era a parte gastronômica. Comemos o famoso "gaufre" belga, que é tipo um waffle, ou seja, uma massa doce, grossa e aerosa cortada num formato redondo e quadriculado. O nosso era "au chocolat". Delícia!

Le gaufre au chocolat

Também descobrimos que não é só na Holanda que o pessoal come batata frita com maionese, hehehe. Nesse a mulher caprichou:

Des frites à la mayonese

De barriga cheia, pegamos nosso trem para Bruxelas. Bruxelas é a capital da Bélgica, e fica bem no meio do país, na divisa entre Wallonie e Flandres, as duas principais regiões do país. Chegando lá, não tiramos nem a mochila, já que nosso objetivo principal era a só ver a Gran-Place mesmo que ficava ao lado da estação de trem.

Bom, descrever a Gran-Place é algo difícil. Foi sem dúvida um dos lugares mais bonitos em que já estivemos até agora. É óbvio que as fotos não chegam nem ao pé do que foi a sensação de estar em um lugar desses. Mas talvez ajudem a dar uma noção do que é esse lugar, considerado por Victor Hugo a praça mais bonita do mundo.





Sinceramente, não entendemos porque o pessoal falava tão mal de Bruxelas. É verdade que só essa praça já faz valer a pena uma visita à cidade, mas o resto do que vimos em Bruxelas (óbvio que não foi muito, graças ao fator tempo) também foi legalzinho. Várias ruelinhas, com barzinhhos e guardas-chuvas abertos, casas antigas... Mas o melhor eram as lojas de chocolates.

A gente até queria comprar algum, mas tava muito caro e a gente tinha pouco espaço na mochila. Então nos contentamos apenas em filar amostras grátis, que estavam uma delícia por sinal.

Fonte de chocolate na vitrine da loja

Depois da Gran-Place e dos chocolates, a gente se empolgou e resolvemos dar mais uma passeadinha pelo centro de Bruxelas. Vimos o Manneken Pis, uma estatuazinha meio sem graça de um menino fazendo xixi que dizem ser o símbolo-maior da Bélgica (faltam só explicar o porquê) e também a Catedral de Bruxelas, bem bonitona também.

Mannekin Pis

Cathedral de Bruxelles

Já cansados de tanto carregar mochila nas costas, partimos para Bruges. Bruges fica em Flandres, que é a parte "holandesa" da Bélgica. Esse país é difícil de entender: em Wallonie todo mundo fala francês e só. Em Flandres todo mundo fala flamengo (uma língua esquisita parecida com holandês) e um pouco de inglês, mas quase nada de francês. E isso num país pequeninho, do tamanho de Sergipe.

A gente acabou visitando no mesmo dia uma cidade em cada região, e deu pra perceber que realmente existe uma grande diferença entre essas duas culturas, como na língua, na comida e na arquitetura. Mas a primeira coisa que chamou a nossa atenção em Bruges foi o meio de transporte principal da cidade.

Bicicletas estacionadas em frente à estação principal

É, em Flandres todo mundo anda de bicicleta. É incrível, eles inclusive tem uma pista própria pra bicicletas na calçada, com semafóro, sinalização e tudo. E todas as bicicletas são esse estilo "charmozão década de 60", como tá aí na foto. Legal, né?

Reza a lenad que Bruges é conhecida como a Veneza do Norte, por causa dos vários canais que cortam a cidade. Mas os canais são feios, já que a água é cheia de um pozinho verde esquisito que faz ela nem parecer água mais. O mais bonito que achamos foram as ruas e a praça principal. Se em Liège tivemos a impressão de estarmos no século XIX, em Bruges parecíamos estar em épocas mais antigas ainda.

Ruazinha de dia

Ruazinha ao entardecer

Barzinhos na praça principal

Prédio da prefeitura

É claro que ao escolher visitar três cidades no mesmo dia, a gente já sabia que não ia dar pra ver tudo que há pra ver em nenhum desses lugares. Mas no final das contas, ficamos satisfeitos com o nosso passeio, já que conhecer um pouco de cada coisa já foi o suficiente pra nos dar uma noção legal do que é Bélgica. Foi um dia cansativo, mas que certamente valeu a pena.

Dias 24 e 25 - Dublin

6 e 7 de outubro

Em qualquer viagem, por melhor que seja, sempre existem as partes "marromeno", não é mesmo? Pois então, é bem aí que fica Dublin.


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Dublin é a capital da República da Irlanda, um país insular e anglo-saxão que fica numa ilha à leste da Grã-Bretanha. Não sei se é por modismo ou o quê, mas a gente sempre quis visitar essa cidade. Na nossa cabeça, Dublin seria uma cidade bonita como Londres, só que em menor escala, num clima mais cidade pequena bonitinha ou algo assim. Mas isso é a última coisa que Dublin é.

Rua de Dublin

Ponte sobre o rio Liffey

A cidade é grande, e as vezes até parece maior do que a vizinha inglesa, já que nem tudo é tão bem cuidado como é lá em Londres. O negócio é que a Irlanda foi um país bem pobre até pouco tempo, e foi só nas últimas décadas que o país conseguiu crescer economicamente e oferecer melhores condições de vida para sua população. Mas ainda existe muito mendigo, muita rua suja e muitas casas feinhas e sem graça em plena zona turística da cidade, por sinal muito cara (caríssima!!!) e mesmo assim lotada de visitantes que vão em busca do maior atrativo que ela tem a oferecer: os pubs.

Ruazinha dos pubs no centro de Dublin

Temple bar

Pub significa bar. Não bar como a gente sabe no Brasil, mas esses bares com balcão de madeira, caneca com alça e cerveja em barril. Esse aí da foto é o mais famoso da cidade, o Temple Bar. Todo mundo vai lá pra tirar foto, todos os cartões postais são sobre esse bar e por aí vai, só pra ter uma noção de como não há nada muito mais interessante no resto das cidades.

Quer dizer, tem até um ou outro lugar legal na cidade. Um deles é a Catedral da Igreja de Cristo (Christ Church Cathedral).

Christ Church Cathedral do lado de lá

O nome é esquisito, mas a catedral é linda. Sua construção começou no século XI, em 1038. E de etapas em etapas, evoluiu pra isso que é hoje.

E do lado de cá

Outro lugar legal é a Trinity College, a famosa universidade da Irlanda.

Entrada da Trinity College

A Trinity College foi construída no século XVI como um seminário protestante, na época em que a Inglaterra (que era e ainda é anglicana) conquistou a Irlanda (que era e ainda é majoritariamente católico). Com o passar do tempo, o seminário acabou virando universidade, mas até a década de 60 a Igreja Católica considerava pecado mortal assistir aulas lá.

Coral de velhinhos na praça central

Lá também tinha um castelo, chamado Castelo de Dublin. Mas esse castelo era meio esquisito, porque tinha mais cara de mansão do que de castelo.

Entrada do Castelo de Dublin

O prédio inteiro era nesse estilo "casinha antiga", com exceção da parte de trás onde havia uma torre de castelo de verdade e uma parede de Igreja, detalhes que deixavam o castelo mais estranho ainda.
Fundos do Castelo de Dublin

A catedral de St. Patrick também era muito bonita. A catedral é dedicada ao santo mais adorado pelos irlandeses, que ainda hoje se vestem de com roupas, cartolas e trevos de quatro-folhas verdes todo ano para comemorar o dia de St. Patrick. De verde, a Catedral não tinha nada, a não ser pelo parquezinho que ficava ao lado do prédio.

St. Patrick's Cathedral

Pequenos irlandeses brincando com o cachorro

E foi isso. Pode até parecer que a cidade é bonita pelas fotos que botamos aqui e que no final das contas a gente só está reclamando de barriga cheia, mas o que acontece é que as ruas e o resto todo é bem normalzinho, muito mais sem graça do que as outras cidades que já visitamos aqui na Europa. E mesmo as igrejas, castelos e universidades que são bonitas não são nada de especial, como era por exemplo o Parlamento de Londres ou o Castelo de Edimburgo.

Ruazinha normalzinha

E como ninguém aqui tá viajando pra ficar pulando de pub em pub, o prêmio lanternina da Europa 2007 praticamente já tem ganhador certo, hehehe :)