quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Dias 30 e 31- Copenhague

12 e 13 de outubro

A Escandinávia é uma região meio difícil de se definir. Alguns dizem que ela é composta por apenas dois países, a Suécia e a Noruega. Outros já incluem a Dinamarca, que apesar de não estar na península escandinava, têm raízes histórico-culturais em comum com seus vizinhos do norte. E ainda há quem ainda bote no mesmo saco Islândia, Finlândia e várias outras ilhazinhas espalhadas pelo Atlântico e pelo Mar Báltico.

A escolha das cidades que iríamos viajar por essas bandas foi bem simples. Como Helsinque (a capital da Finlândia) parecia ser meio sem graça e esse negócio de procurar ilha no meio oceano tava ficando muito complicado, acabamos optando por visitar apenas três das capitais: Copenhague, Oslo e Estocolmo, exatamente nessa ordem.


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A Dinamarca é o país escandinavo mais ao sul, e é formada por uma parte peninsular, ligada ao norte da Alemanha, e por uma outra insular, composta por milhares de ilhas espalhadas pelos Mares do Norte e Báltico. Na maior delas, chamada Zelândia, fica a capital e maior cidade da Escandinávia, a famosa Copenhague.

Praça na Strřget

Ficamos lá dois dias e adoramos a cidade. Nosso hotel ficava perto da Strřget, um conjunto de ruas para pedestres que dizem ser o maior do mundo. Lá era cheio de lojas, lanchonetes, restaurantes e principalmente de gente engraçada pra olhar, que foi o que nós mais fizemos, hehehe.

Uma das ruas fechadas da Strřget

Măe levando as crianças numa rua ali do lado

Bem no meio da Strřget existe uma torre chamada Torre Redonda (Rundetaarn). Parece meio nada a ver, mas tem uma história bem legal atrás disso. Alguém aí se lembra de um cara chamado Tycho Brae? Bom, vai aí um resuminho meia-boca: Tycho Brae era um astrônomo muito dedicado, acima de tudo. Ele nunca descobriu nada de muito importante, e a única coisa que ele fez de bom foi ficar observando a posiçăo de vários planetas e estrelas e anotando todos os dados (data, coordenadas, etc) ao decorrer dos anos, só pra deixar registrado mesmo.

Daí um dos seus alunos mais brilhantes chamado Kepler pegou todas essas informaçőes, ficou anos trabalhando em cima delas e desenvolveu um conjunto de leis astrofísicas que revolucionaram a astronomia moderna. E tudo isso começou lá na Torre Redonda, que era o antigo observatório de Tycho Brae. Nós subimos a enorme rampa circular até lá em cima (uf, uf), mas a vista valeu a pena.

Rundetaarn

Copenhague e suas espiras pontudas

Pra variar, o centro da cidade era cheio de canais, lagos, ilhas e pontes. Mas lá era diferente. Primeiro pelo estilo dos prédios, todos compridinhos e com aqueles telhados inclinados pra năo acumular neve. O sol de fim de tarde deixava tudo mais bonito ainda.

Ponte sobre o canal e prédios

Segundo porque o Palácio Real (christiansborg Slot) ficava logo ali no centro também. É isso aí, a Dinamarca ainda é uma monarquia, e o pessoal lá é cheio de frescura por causa disso (mais detalhes ainda a vir). O Palácio fica numa ilha no centro, e parecia ser bem bonito... se năo estivesse em obras, hehehe. Mas mesmo assim tava legal:

Christiansborg Slot

E terceiro e mais importante é que Copenhague tem sua própria Sociedade Alternativa a míseros 500 metros do Palácio Real. Năo, isso năo é mentira. O que aconteceu foi o seguinte: em 1960, um bando de hippies dinamarqueses decidiram fundar uma vila maluco-beleza chamada Cristiania, um lugar onde o povo poderia trabalhar se que quisesse e fumar o que quisesse, sem estresse.

Com o passar do tempo, foi criando-se um mercado aberto de compra e venda de drogas na rua central de Cristiannia, chamada Pusher, que foi logo contido pela polícia dinamarquesa assim que o local começou a se tornar perigoso. Hoje, como em todo o resto de Copenhague, Cristinnia é um lugar cheio de imigrantes. Encontramos de tudo: negőes africanos, uns índios com cara de chineses esquisitos e até um brasileiro! O cara nos mostrou a vila rapidinho (ele tava com pressa, já de acordo com o próprio "os branco tavam lá esperando"), e disse que do pessoal original mesmo só sobrou uns 50.

Entrada de Cristiannia

Uma pena que lá na Pusher era proibido tirar foto... A gente tirou uma no começo, mas logo que vimos as milhares de placas e desenhos de câmeras cortadas com X vermelhos achamos melhor obedecę-las, hehehe. O lugar era incrível! Várias lojinhas, barraquinhas de comida, galpőes de construçăo e casinhas esconidadas no meio do mato. E isso tudo praticamente no centro de Copenhague!

Início da rua Pusher

Na saída, uma placa lembrava aos visitantes para onde eles estavam voltando.

"Você está agora entrando na Uniăo Européia"

Isso tudo visitamos no primeiro dia na cidade. No segundo bem cedinho, pegamos o metrô e fomos para a parte norte da cidade, num bairro chamado Frederikstaden. Lá é onde fica a estátua da Pequena Sereia (Lille Havfrue) construída em homenagem ao famoso escritor dinamarquês Hans Cristian Andersen. Talvez seja difícil lembrar pelo nome, mas foi esse cara aí quem escreveu contos como "O Patinho Feio" e "As Novas Roupas do Imperador". A "Pequena Sereia" também foi escrita por ele, e a estátua é um símbolos mais conhecidos de Copenhague.

Lille Havfrue

A estátua fica num porto bem bonito, que faz parte de um complexo maior chamado Kastellet. Essa área toda era um antigo forte militar, mas hoje é um parque bonităo, muito bem cuidado.

Igreja no Kastellet

Ali a uns 4 quarteirőes ficava o palácio de inverno da realeza dinamarquesa, o Amalienborg Palace. Igual a seus colegas de profissăo londrinos, todo dia os guardinhas fazem um showzinho pra turista ver e chamam isso de Troca da Guarda. Por questőes de horário, essa năo deu pra gente presenciar, mas pelo menos presenciamos um grupinho fazendo pose de malzão :)

Amalienborg Palace

E o grupinho de soldados

Bem ali do lado ficava a Marmokirken (Igreja de Mármore, numa traduçăo literal). Essa igreja é enorme! E muito bonita também. É o segundo maior domo da Europa, perde só pra St. Paul's Cathedral, em Londres. Quem quiser pode comparar as duas, já que a gente também já botou foto de ambas no blog.

Marmokirken

Pra terminar o passeio, fomos pro Rosenborg Slot, um palácio estilo barroco construído pelo rei Cristian IV (que devia ser muito importante, devido à quantidade de coisas que tem "cristian" no nome em Copenhague) para ser a residęncia de verăo da família real. Bonităo também.

Rosenborg Slot

Pai e filho brincando com um dos leitőezinhos (sic) da criaçăo bem ao lado do palácio

De lá, fomos direto para a estaçăo de trem rumo a Oslo, alguns 500 quilômetros ao norte...

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Dia 29 - Hamburgo

11 de outubro

Hamburgo é... Hamburgo, como diria a Gabi. Na verdade, a gente nem queria muito ir pra lá. O que a gente queria mesmo era ficar um dia a mais em Amsterdã ou Copenhague (que era o nosso próximo destino), mas como não havia trem noturno entre essas duas cidades e a viagem diurna duraria cerca de 9 horas, decidimos dormir no meio do caminho mesmo, e era exatamente lá que ficava Hamburgo.


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Hamburgo fica no norte da Alemanha, pertinho da Dinamarca, e sempre foi um dos maiores portos comerciais desse país. A cidade é grande, tem 1 milhão e 200 mil habitantes, e parece grande mesmo, a ponto de perder um pouco em beleza histórica por causa das enormes avenidas e prédios modernos.

Também, não é por menos. A cidade foi uma das mais bombardeadas pelas tropas aliadas durante a Segunda Guerra Mundial, e grande parte do que existe hoje no centro de Hamburgo foi reconstruído em cima de ruínas.

Quando começamos a passear pela área central, os prédios e as avenidas estavam tão normais que nem parecia Europa. Lembramos até de Dublin, por um momento. Havia uma ou outra igreja espalhada pela confusão de carros e bicicletas, mas nada bonito demais que merecesse atenção especial.

Michaeliskirche

A mais interessante foi uma chamada Nikolaikirche, que foi praticamente destruída pelos bombardeios aéreos dos aliados. Para relembrar as novas gerações da destruição causada pela guerra, a Nikolaikirche nunca foi totalmente restaurada, e hoje abriga uma série de esculturas e obras de arte relativas a esse tema. A única parte que sobrou intacta foi a torre da igreja, aonde é possível ver marcas de balas e explosões.

Torre da Nikolaikirche

A igreja sem-teto

As igrejas eram legais, mas a cidade não tinha nada de mais, até chegarmos no local onde os dois lagos existentes no centro da cidade (Außenalster e Binnenalster) se encontram. Lá existe uma grande passarela pra pedestres e vários cafés e restaurantes à beira da água. Foi aí que começamos a gostar da cidade, ehehehe.

Restaurantes à beira do lago

Tocador de sanfona

Cais

Lá do lado fica o Rathaus, o palácio do governo municipal e estadual. O prédio é inacreditável; enorme e todo ornamentado. Na parte interior existem várias esculturas, dentre as quais a mais impressionante é uma fonte inspirada na mitologia grega.

Rathaus

Fonte

Essa parte da cidade é linda. Ali perto existem uma rua para pedestre chamada Mönckebergstraße, cheia de lojas e cafés. Demos uma passeada ali à noitinha, e tava bem bonito também.

Mönckebergstraße

No final, acabamos satisfeito com o que vimos. A gente nem tava esperando muito, mas essa parte da cidade é realmente bonita. Foi legal também pra dar um gostinho da Alemanha, país que vamos voltar daqui a uns 15 dias, vindo da República Checa. Mas nosso destino agora é a Escandinávia, e para lá que fomos no dia seguinte... (continua).

Dias 27 e 28 - Amsterdã

9 e 10 de outubro

O primeiro pensamento que nos veio à cabeça ao andar pelos canais de Amsterdã foi: "É, Edinburgo ganhou uma boa concorrente".


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Amsterdã é a capital da Holanda, outro país titico que faz fronteira com a Bélgica ao sul e com a Alemanha ao leste. A cidade não é tão grande, tem só 800 mil habitantes. E incríveis 1 milhão e 200 mil bicicletas, todas estilozinhas como aquelas de Bruges.

Caminhar pela área central de Amsterdã é um desafio sensorial pra qualquer um. Você anda, anda, anda e parece estar passando pelo mesmo lugar toda hora. Isso acontece porque a cidade é toda cortada por uma série de canais que formam círculos concêntricos ao longo das ruas e avenidas.

O visual padrão é assim:

Bicicleta e canal em Amsterdã

Bonito, né? Se você andar mais um quarteirão pra frente, você vai chegar num lugar assim:

Bicicleta e canal em Amsterdã (2)

À noite, os canais ficam tipo assim:

Canal à noite

E por aí vai. Mas o incrível é que é impossível se cansar dessas pontes, casas e bicicletas. Quer dizer, nós ficamos lá por 2 dias e além de não nos cansarmos, ficávamos cada vez mais empolgados a cada quarteirão que passava.

Hotel chique na beira do canal

Mas bem mais do que os canais, Amsterdã é famosa por outras coisas, um pouco mais controversas, digamos assim. Lá, a prostituição é uma atividade legal, e existe um bairro específico onde a maioria das prostitutas trabalham, chamado Red Light District.

Sinceramente, alguém deveria fazer uma tese antropológica sobre esse lugar. Lá é mais ou menos o seguinte: várias "garotas" ficam de biquini em vitrines viradas para a rua, fazendo poses, dançando, rebolando, ou qualquer outra coisa que possa atrair a atenção do povo.

Além disso, também existem vários outros "negócios": sexshops, cabines eróticas e o mais incrível, espetáculos de sexo explícito. Bizarro, não é?

Pena que lá era proibido tirar fotos... Mas que é um lugar bem curioso isso é.

Outras das "atrações" turísticas de Amsterdã, e talvez as mais famosas, são as coffeeshops.

Uma das mais de 200 coffeeshops da cidade

As coffeeshops, apesar do nome, são os estabelecimentos licenciados para poder comercializar maconha. De acordo com o guia do tour que fizemos (de graça também!!), a maconha não é legalizada na Holanda não. O que acontece é que seu uso e comércio é descriminalizado, e qualquer um vendendo menos de 5 gramas por vez ou portando menos de 30 tem minimíssimas chances de serem multados. Não sabemos se é assim mesmo de verdade, já que não tivemos tempo suficiente ainda pra pesquisar sobre o assunto... Talvez quando voltarmos pra casa sobre um tempinho pra isso, eheheh :)

Novamente de acordo com o guia, apenas 10% dos holandeses consumem a droga, regularmente ou não. O grande mercado consumidor das coffeeshops é na verdade os turistas, e essa é a maior razão para que a Holanda não ceda às pressões externas (principalmente Inglaterra e França) e volte a criminalizar a venda e consumo da maconha.

Só um aviso às mamães: não precisam se preocupar. Apesar da aparente "libertinagem", Amsterdã é um lugar seguríssimo e tinha polícia e senhoras de família em tudo quanto é lugar. E não, não fizemos nada de errado, podem acreditar :)

Smartshop, ou loja de cogumelos

Mas Amsterdã tem muito mais o que oferecer além de sexo e drogas. O guia nos levou à Oude Kerk (Antiga Igreja), uma igreja gigante e lindíssima localizada bem no meio do Red Light District. A razão? Bom, Amsterdã sempre foi uma cidade portuária muito movimentada, e a primeira coisa que os marinheiros que passavam meses no mar faziam ao chegar em Amsterdã era procurar as "garotas" do Red Light District. Após dias de farra e esbórnia, quando tinham que voltar para a solidão dos navios, eles davam uma passadinha na igreja, se confessavam, pagavam a indulgência e pronto!, livres do pecado. Fácil assim.

Oude Kerk

Também tem o Nieuwmart, o prédio medieval mais antigo ainda preservado em Amsterdã. Ele foi construído no século XV, e fazia parte da antiga muralha que rodeava a cidade. Esse lugar foi palco de execuções e dissecações (eca) públicas por muitos anos, e hoje em dia é um restaurante chiquíssimo que cobra 20-30 euros por prato.

Nieuwmart

Ele mesmo visto do outro lado do canal

Um outro prédio legal é o Magna Plaza, talvez o shopping center mais charmosão que já vimos.

Magna Plaza

Tem um lugar também que achamos bem legal de visitar. Algum de vocês lembra da Companhia das Índias Orientais? Ela funcionava como uma espécie de mediora entre os donos de navio que queriam fazer comércio com o Novo Mundo ou invadir territórios ingleses e portugueses, como foi com a ilha de Manhattan (é isso mesmo, NY foi fundada pelos holandeses) e com o Estado de Pernambuco (alguém se lembra de Maurício de Nassau?). Considerada por muitos a primeira corporação da história, o prédio da Companhia existe até hoje em Amsterdã e hoje funciona como um dos campus da universidade local. Não é muito bonito, mas o significado histórico é que legal.

Antiga Sede da Companhia das Índias Oridentais

E por aí vai. Amsterdã é uma cidade linda e interessante, que realmente adoramos conhecer. Tá no rol das favoritas, pau a pau com Edinburgo :)

Canal na cidade

Prédio tortinho

domingo, 14 de outubro de 2007

Dia 26 - Bélgica

8 de outubro

A nossa viagem pela Bélgica foi meio experimental, digamos assim. Em menos de 24 horas, visitamos três cidades diferentes: Liège, Bruxelas e Bruges.


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O que aconteceu foi o seguinte: primeiramente, a gente queria visitar só Bruxelas. Mas daí todo mundo tava falando mal da cidade, que era muito feia, que não tinha nada, blablá, e daí a gente decidiu ficar em Bruxelas só o tempo suficiente pra dar uma olhadinha na praça principal (a Gran-Place, que todo mundo dizia ser a única coisa bonita lá) e depois partir pra Bruges, que fica na metade norte da Bélgica.

Mas acabou que o nosso avião não pode pousar em Bruxelas, por causa da neblina, e tivemos que descer no aeroporto de uma cidadezinha chamada Liège, que fica no Sul do País. Daí acabamos decidindo visitar essa também, já que tínhamos ouvido de segunda-mão das amigas da Bela que a cidade era maravilhosa.

Então começamos tudo aí, em Liège.

Ruazinha em Liège

Liège é uma cidade pequena, e fica na parte francesa da Bélgica, chamada Wallonie. É tudo muito bonitinho, como se o tempo tivesse parado no século XIX e preservado todas as ruas e casinhas do jeito que eram.

Outra ruazinha

Andamos pelo centro histórico da cidade (Couer Historique) e fomos até a Catedral, que era impressionante por dentro, principalmente por causa do Cristo pendurado em frente ao altar.

Cathedral de Liège

Interior

Mas o melhor da cidade era a parte gastronômica. Comemos o famoso "gaufre" belga, que é tipo um waffle, ou seja, uma massa doce, grossa e aerosa cortada num formato redondo e quadriculado. O nosso era "au chocolat". Delícia!

Le gaufre au chocolat

Também descobrimos que não é só na Holanda que o pessoal come batata frita com maionese, hehehe. Nesse a mulher caprichou:

Des frites à la mayonese

De barriga cheia, pegamos nosso trem para Bruxelas. Bruxelas é a capital da Bélgica, e fica bem no meio do país, na divisa entre Wallonie e Flandres, as duas principais regiões do país. Chegando lá, não tiramos nem a mochila, já que nosso objetivo principal era a só ver a Gran-Place mesmo que ficava ao lado da estação de trem.

Bom, descrever a Gran-Place é algo difícil. Foi sem dúvida um dos lugares mais bonitos em que já estivemos até agora. É óbvio que as fotos não chegam nem ao pé do que foi a sensação de estar em um lugar desses. Mas talvez ajudem a dar uma noção do que é esse lugar, considerado por Victor Hugo a praça mais bonita do mundo.





Sinceramente, não entendemos porque o pessoal falava tão mal de Bruxelas. É verdade que só essa praça já faz valer a pena uma visita à cidade, mas o resto do que vimos em Bruxelas (óbvio que não foi muito, graças ao fator tempo) também foi legalzinho. Várias ruelinhas, com barzinhhos e guardas-chuvas abertos, casas antigas... Mas o melhor eram as lojas de chocolates.

A gente até queria comprar algum, mas tava muito caro e a gente tinha pouco espaço na mochila. Então nos contentamos apenas em filar amostras grátis, que estavam uma delícia por sinal.

Fonte de chocolate na vitrine da loja

Depois da Gran-Place e dos chocolates, a gente se empolgou e resolvemos dar mais uma passeadinha pelo centro de Bruxelas. Vimos o Manneken Pis, uma estatuazinha meio sem graça de um menino fazendo xixi que dizem ser o símbolo-maior da Bélgica (faltam só explicar o porquê) e também a Catedral de Bruxelas, bem bonitona também.

Mannekin Pis

Cathedral de Bruxelles

Já cansados de tanto carregar mochila nas costas, partimos para Bruges. Bruges fica em Flandres, que é a parte "holandesa" da Bélgica. Esse país é difícil de entender: em Wallonie todo mundo fala francês e só. Em Flandres todo mundo fala flamengo (uma língua esquisita parecida com holandês) e um pouco de inglês, mas quase nada de francês. E isso num país pequeninho, do tamanho de Sergipe.

A gente acabou visitando no mesmo dia uma cidade em cada região, e deu pra perceber que realmente existe uma grande diferença entre essas duas culturas, como na língua, na comida e na arquitetura. Mas a primeira coisa que chamou a nossa atenção em Bruges foi o meio de transporte principal da cidade.

Bicicletas estacionadas em frente à estação principal

É, em Flandres todo mundo anda de bicicleta. É incrível, eles inclusive tem uma pista própria pra bicicletas na calçada, com semafóro, sinalização e tudo. E todas as bicicletas são esse estilo "charmozão década de 60", como tá aí na foto. Legal, né?

Reza a lenad que Bruges é conhecida como a Veneza do Norte, por causa dos vários canais que cortam a cidade. Mas os canais são feios, já que a água é cheia de um pozinho verde esquisito que faz ela nem parecer água mais. O mais bonito que achamos foram as ruas e a praça principal. Se em Liège tivemos a impressão de estarmos no século XIX, em Bruges parecíamos estar em épocas mais antigas ainda.

Ruazinha de dia

Ruazinha ao entardecer

Barzinhos na praça principal

Prédio da prefeitura

É claro que ao escolher visitar três cidades no mesmo dia, a gente já sabia que não ia dar pra ver tudo que há pra ver em nenhum desses lugares. Mas no final das contas, ficamos satisfeitos com o nosso passeio, já que conhecer um pouco de cada coisa já foi o suficiente pra nos dar uma noção legal do que é Bélgica. Foi um dia cansativo, mas que certamente valeu a pena.